O que é o Terroir e como se divide em Portugal nos dias de hoje?

O que é o Terroir e como se divide em Portugal nos dias de hoje?

O que é o Terroir? A noção de Terroir.

O que é o Terroir? Expressão francesa que, traduzida literalmente, representa terreno ou território, têm um significado bastante mais vasto e que se traduz por todos os factores que individualizam um vinho.

A questão é velha: o que torna um vinho único?

Comecemos pela descrição dos agentes dessa individualidade: Solo, Clima, Castas são os elementos naturais a que teremos de juntar um factor fundamental: o Homem.

Vinhas Centenárias Herdade de Pegos Claros

É fácil de perceber que um solo muito fértil, granito, de xisto ou calcário vai produzir frutas com aromas, sabores e acidez bastante diferentes.

As castas, isto é, as diferentes versões da Vitis Vinífera, produzem também sabores, aromas e texturas muito diversas.

Quanto ao clima, ele é tão determinante que basta chover na altura errada e toda a produção está posta em perigo. A juntar a isto ainda deveríamos acrescentar a orografia, no que ela influencia a exposição ao sol ou a drenagem de um terreno.

Mas o que é mais marcante no que é o Terroir é a intervenção humana, nas suas múltiplas escolhas e técnicas, os seus gostos, hábitos e padrões culturais.

Postas desta maneira, é evidente porque é que os vinhos têm a enorme diversidade que qualquer de nós reconhece.

A globalização dos mercados e as suas ramificações nos gostos e preços tem vindo a reduzir imensamente essa característica do vinho, apesar de cada vez mais Portugal e também diversos Pequenos Produtores por esse Mundo se afirmarem com Terroirs únicos, Castas autóctones, métodos tradicionais e cada vez menos intervenção na Vinha, fazendo com que o Terroir seja cada vez mais relevante novamente.

Quinta do Poço do Lobo - Caves São João
Quinta do Poço do Lobo – Caves São João

Nos dias de hoje, procura-se (e por vezes consegue-se,) novos “terroir’s” por todo o mundo, da Califórnia à Africa do Sul, da Índia e China a Portugal ou a Inglaterra, onde podemos encontrar Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Merlot ou Syrah, plantados da mesma forma e vinificados com a mesma receita.

O resultado é assustador na medida em que encontramos uma massa gigantesca de vinhos com características tão marcantes e próximas que nos deixa a pensar que afinal, transformámos o vinho num produto industrial e com isso se perdeu a raiz cultural, factor imprescindível do status e importância do vinho enquanto reflexo das culturas locais.

A noção francesa das “apellations” controladas (traduzidas entre nós pelas DOC’s – Denominações de Origem Controladas) é baseada na longa experiência de que certas combinações de solo, local e casta têm um potencial próprio, impar e de qualidade.

Dizemos potencial porque, trabalhadas de forma banal ou mesmo medíocre, facilmente se perdem essas características.

A noção de “Terroir”

O vinho é um dos produtos alimentares mais complexos e diferenciados que o homem já produziu, estando adaptado, cada um destes tipos de vinho a uma ocasião ou comida especifica.

Todos sabemos que, quando compramos uma garrafa, estamos a comprar muito mais do que o vinho que ela contém. Estamos a comprar um tipo de vinho, a imagem e história de uma região, o prestígio do produtor e da própria imagem da garrafa.

Assim sendo, o comprador, que hoje mais do que nunca, se sente impelido a provar coisas e marcas que não conhece, orienta-se sobretudo pelo preço e pela imagem e é esta que vamos tentar desmontar.

A identidade de um vinho depende de alguns aspectos fundamentais: o tipo de uvas (Castas), que está na sua origem, o local (região) onde foi produzido, a empresa ou o produtor e o ano de colheita.

Esta identidade corresponde ao conceito francês de “terroir”, i.e., a conjugação das características e condições únicas entre as castas utilizadas, o homem (tecnologia e tradições) e o clima e terreno (condições edafo-climáticas).

É nossa tradição, na Europa, de criar uma identidade sobretudo regional, que procura traduzir-se num determinado “tipicismo”, muitas vezes não apenas do conteúdo, mas também da sua imagem, designando certos modelos de garrafa ou menções obrigatórias nos rótulos.

Comecemos pelas garrafas, que variam em tamanhos (hoje quase todas respondem como múltiplos de 0.75L, variando das doses individuais de 0.25 a tamanhos gigantes, muito utilizados nos Champanhes, como a Nabucodonossor, de 20L) ou na forma, sendo os modelos mais comuns de garrafa:

A Borgonhesa, obrigatória no Dão, mas muito utilizadas para vinhos em todo o pais.
A Bordalesa, a mais comum.
A Renana, utilizada sobretudo nos Vinhos Verdes e nos Leves.
A Francónia, modelo vulgarizado pelos Roses (Mateus, Gatão, Lagosta, etc.)
A Porto, especialmente desenhada para os vinhos de envelhecimento (Vintage e LBV.), tem um gargalo bojudo, adaptado ao corte com a tenaz.
A Champanhe, de vidro muito grosso e entalhe no fundo, para suportar a pressão do interior da garrafa

De acordo com as leis da União Europeia, o rótulo deve conter as informações seguintes:
A classificação de qualidade
A região de origem
O teor alcoólico
O ano de colheita (se for caso disso)
O nome e morada do produtor ou engarrafador
O tamanho (capacidade) da garrafa

Pode ainda ter um contra rótulo, muitas vezes utilizado como a verdadeira imagem do vinho, que pede conter mais informações sobre a forma como o vinho foi produzido, as principais castas e respectivas percentagens, notas históricas da região ou do produtor, que, sem serem levadas a letra, nos podem dar informações muito úteis, sobre o que esperar desse vinho

Uma das informações mais importantes que consta do rótulo de um vinho é a referente a classificação legal, que no nosso país, funciona do seguinte modo:

Designações Oficiais

DOC or DOP


No mais alto nível da hierarquia dos vinhos europeus, Portugal tem 31 DOC/DOP. Atualmente, ambos estes termos são utilizados em Portugal. A designação tradicional “DOC” significa Denominação de Origem Controlada e a pan-europeia “DOP” significa Denominação de Origem Protegida. Cada uma destas regiões tem delimitações geográficas estritamente definidas. Observação: apenas são apresentadas 28 no mapa uma vez que três das regiões (Douro e Porto, Madeira e Madeirense, DOC Setúbal e DOC Palmela) ocupam as mesmas áreas e foram numeradas em conjunto. Os regulamentos DOC também estabelecem uma quantidade máxima de colheitas de castas, determinam quais as castas recomendadas e autorizadas e várias outras normas. Todos os vinhos têm de ser submetidos a uma prova, teste e aprovação oficiais

IG or IGP (Vinho Regional)


Todo o território nacional está dividido em 14 áreas de “Vinho Regional”. Os vinhos provenientes destas áreas têm sido designados como Vinho Regional em Portugal. Atualmente, a União Europeia introduziu novas designações para esta categoria de vinho: IG quer dizer “Indicação Geográfica” e IGP, “Indicação Geográfica Protegida”.
A maioria das regiões portuguesas decidiu manter a denominação antiga, VR. As normas para a elaboração de Vinho Regional são muito menos rigorosas do que as que governam os vinhos DOC. Todavia, muitos vinhos portugueses de prestígio são classificados como Vinho Regional. Isto acontece porque o produtor preferiu utilizar castas que não estão autorizadas para uma determinada DOC ou, pelo menos, não estão autorizadas nas combinações e proporções específicas escolhidas. Os regulamentos menos rigorosos para o Vinho Regional proporcionam aos produtores um campo de ação mais alargado, apesar de estes vinhos também terem de cumprir determinados critérios relativamente à casta, graduação mínima alcoólica, entre
outros.

Vinho de Mesa


Os Vinhos de Mesa são os vinhos mais simples de Portugal, não estando sujeitos a nenhuma das normas estipuladas para a qualidade dos vinhos regionais. No entanto, é de assinalar que muito poucos vinhos elogiados pela crítica são designados simplesmente como vinhos de mesa. Regra geral, são vinhos produzidos por viticultores ambiciosos que decidiram trabalhar fora das normas oficiais e deliberadamente classificaram os seus vinhos como vinhos de mesa.

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